Apostas Liga Portugal Regulamento SRIJ — Lei e Legalidade | Relvado

Updated Julho 2026
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Regulamentação SRIJ das casas de apostas legais em Portugal

Quando comecei a apostar online, em meados da década passada, o mercado português era uma terra de ninguém. Não havia regulação, os operadores funcionavam numa zona cinzenta e a proteção do jogador era praticamente inexistente. Tudo mudou em 2015 com a publicação do Decreto-Lei n.o 66/2015, que regulamentou as apostas online em Portugal e criou o enquadramento que hoje conhecemos.

O SRIJ. Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos, tornou-se a entidade responsável pelo licenciamento e fiscalização dos operadores. O mercado conta atualmente com 18 operadores licenciados, que gerem 32 licenças no total: 13 para apostas desportivas e 18 para casino, segundo dados da SRIJ. Cada operador passou por um processo de candidatura rigoroso que inclui requisitos de capital, sistemas de segurança informática, mecanismos de jogo responsável e transparência financeira.

Para o apostador, a diferença entre operar com um operador licenciado e um ilegal não é abstrata, é tangível. Num operador SRIJ, os fundos depositados estão protegidos, as disputas têm recurso ao regulador e os pagamentos são processados em conformidade com a lei portuguesa. Num operador ilegal, nenhuma destas garantias existe.

Decreto-Lei n.o 66/2015 — o que mudou no mercado português

O Decreto-Lei de 2015 não se limitou a criar licenças, redesenhou completamente o mercado. Antes da regulação, os apostadores portugueses acediam livremente a operadores internacionais sem qualquer filtro. Depois de 2015, os operadores sem licença SRIJ ficaram proibidos de operar em Portugal, e o regulador ganhou poder para bloquear o acesso aos seus websites.

Desde a entrada em vigor da lei, as autoridades bloquearam 2,501 sites ilegais e emitiram 1,522 notificações de encerramento, segundo dados do Gambling Insider e do relatório SRIJ do segundo trimestre de 2025. Estes números demonstram a escala do mercado ilegal, e simultaneamente os limites da repressão. Bloquear um site não impede a criação de um novo com domínio diferente, o que torna a fiscalização num jogo permanente de gato e rato.

A lei introduziu ainda requisitos específicos para a proteção do jogador: verificação de identidade obrigatória no registo, limites de depósito configuráveis pelo utilizador, mecanismos de autoexclusão e restrições etárias rigorosas. Estes mecanismos, embora imperfectos, representam uma camada de proteção que simplesmente não existe fora do mercado regulado.

Para o apostador informado, a lei de 2015 trouxe um benefício adicional: transparência nas odds. Os operadores licenciados são obrigados a manter registos detalhados de todas as apostas, o que significa que as odds oferecidas são auditáveis e que práticas como a manipulação de cotações ou a recusa arbitrária de pagamentos podem ser investigadas pelo regulador.

Impostos e taxas — como funciona o IEJO

A estrutura fiscal das apostas online em Portugal é frequentemente mal compreendida, e essa má compreensão gera confusão entre apostadores.

Os operadores pagam 8% sobre o volume mensal de apostas desportivas e 30% sobre a receita bruta de casino. Estes valores são dos mais elevados da Europa para apostas desportivas, porque a base de tributação é o volume de apostas e não a receita líquida. Um operador que aceita 10 milhões de euros em apostas num mês paga 800 mil euros de imposto, independentemente de ter lucrado ou perdido com essas apostas. O IEJO. Imposto Especial de Jogo Online — gerou 99.3 milhões de euros no quarto trimestre de 2025, um crescimento de 11.3% face ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da SRIJ reportados pelo Portal da Queixa.

Para o apostador, a boa notícia: os ganhos em apostas não são tributados em sede de IRS. Os prémios de apostas desportivas e de casino online estão isentos de imposto sobre o rendimento para o jogador. Esta isenção torna Portugal um dos mercados mais favoráveis da Europa do ponto de vista fiscal para o apostador, o imposto incide sobre o operador, não sobre o cliente.

Ao longo de 2025, a receita fiscal total do mercado regulado atingiu 353 milhões de euros, segundo a 15M. Este valor contribui diretamente para o orçamento do Estado e é um dos argumentos centrais na defesa do mercado regulado face à alternativa ilegal, que não paga impostos, não protege jogadores e não gera receita pública.

Sites ilegais — bloqueios, riscos e números

Cerca de 40% dos apostadores online em Portugal utilizam plataformas não licenciadas, e 75% destes desconhecem que estão a infringir a lei. Este dado, avançado pela APAJO, revela a dimensão de um problema que a regulação ainda não conseguiu resolver.

Os riscos concretos de apostar em sites ilegais vão além da falta de proteção regulatória. Incluem: retenção de fundos sem recurso legal, manipulação de odds e resultados, ausência de mecanismos de jogo responsável, e exposição de dados pessoais e bancários a entidades sem supervisão. Ricardo Domingues, presidente da APAJO, colocou o problema de forma direta: quando quase 40% do jogo online em Portugal já acontece no mercado ilegal, estamos perante um problema sistémico e não um episódio isolado.

Os 2,501 bloqueios efetuados desde 2015 são um sinal de que as autoridades estão atentas, mas a eficácia da medida é limitada. Novos domínios surgem diariamente, e os mecanismos de acesso. VPNs, mirror sites, aplicações móveis não listadas nas lojas oficiais — tornam o bloqueio facilmente contornável para quem sabe como fazê-lo.

A verificação mais simples que qualquer apostador pode fazer é consultar a lista atualizada de operadores licenciados no site do SRIJ. Se o operador não consta dessa lista, não é legal em Portugal, independentemente do que o próprio site afirme. Para uma análise mais profunda dos riscos do mercado ilegal e dos seus números, a secção dedicada ao jogo responsável aborda as ferramentas de proteção disponíveis no mercado regulado.

Que impostos pagam as casas de apostas em Portugal?

Os operadores pagam 8% sobre o volume mensal de apostas desportivas e 30% sobre a receita bruta de casino. O IEJO gerou 99.3 milhões de euros no quarto trimestre de 2025. A base de tributação para apostas desportivas é o volume total de apostas, não apenas o lucro, o que torna a taxa efetiva uma das mais pesadas da Europa.

Os jogadores portugueses pagam impostos sobre os ganhos em apostas?

Não. Os ganhos em apostas desportivas e casino online em Portugal estão isentos de IRS. O imposto incide exclusivamente sobre os operadores licenciados, não sobre os jogadores. Esta isenção aplica-se a todos os ganhos obtidos em plataformas reguladas pela SRIJ.